Para reflectir

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso,
que se dedicava a ensinar zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda
era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total
falta de escrúpulos apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.

O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção,
cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo,
mas o velho permaneceu impassível.

No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado,
o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre
como ele pudera suportar tanta indignidade.

– Se alguém chega até você com um presente,
e você não o aceita, a quem pertence o presente?
– A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
– O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a
quem o carregava consigo.

A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma.
Só se você permitir…

 

Quando acabei de ler este texto senti que aprendi mais um pouco e sorri. Não é que tenha aprendido propriamente algo novo, simplesmente parece-me uma metáfora excelente para explicar uma realidade que já pensava mas que ainda não tinha encontrado materializado por palavras e sobretudo desta forma tão bonita.

Para que as ofensas, os insultos, os preconceitos, a inveja, a maldade dos outros nos atinjam é necessário que deixemos e nos coloquemos vulneráveis a isso. Se pelo contrário, dermos atenção e importância a tais actos então assim a nossa paz interior será atingida.

Frequentemente pessoas dirigem-se a mim para contar situações deste género, invejas, maldicências, hipocrisia, injustiças… E o meu conselho muitas vezes é simplesmente "Ignora!". Ao que me respondem ainda com mais regularidade "Não pode ser, não me posso calar.", "Mas qual ignorar? Isto não fica assim." ou "Lá estás tu, não vale a pena falar contigo…", "Pois, tu és conformista." entre outras.

Foi por isso que me identifiquei tanto com este samurai, é da mesma forma que ele que costumo agir, e não julgo que seja necessariamente sinónimo de cobardia ou conformismo. Quando me oferecem "presentes" de maldade, insultos, mentiras etc, eu não os aceito, e por isso continuam a ser de quem mos queria oferecer, pois se respondesse "na mesma moeda" estaria a ser, a meu ver, igual ou pior que eles.

Como é óbvio, não é assim tão linear tudo o que aqui digo, e acontece não manter esta postura sempre. Mas espero continuar a pensar assim durante muito tempo, serve-me um pouco de protecção em relação à maldade humana e à falta de ética que reina no mundo. E se para isso tenho que passar a imagem de ingénua ou cobarde que assim seja! 

A vida é demasiado curta para ser passada a discutir, de mau humor, com ressentimentos ou de costas voltadas uns para os outros.

 

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Uma resposta a Para reflectir

  1. Diogo diz:

    Concordo plenamente com o que aqui está escrito, mas por vezes não é fácil fazer o que o Samurai e tu fazem…Mas a verdade é que às vezes não dá…Os meus últimos dias têm sido de tristeza com um pouco de angústia, devido a certos acontecimentos que me deixam comletamente  em baixo…Não que eles sejam em relação a mim, mas afectam me muito…Às vezes apetece-me não estar dependente de ninguém, ter o meu dinheiro ao fim do mês…Mas ainda falta muito até que isso aconteça…Quer dizer, acho eu, não consigo prever o futuro, mas se conseguisse, gostaria de saber o que me reserva o dia de amanhã, e o próximo, e o próximo , e o próximo…A vida trás nos muitas alegrias, mas também muitas tristezas, muitas invejas, muito egoísmo…Ás vezes nem tudo o que parece é…Muitas das vezes, uma pessoa pode aparentar ter uma boa vida, e é logo alvo de invejas por partes de outras pessoas…Uma pessoa que seja pobre é alvo de inveja, nem que seja por ter um objecto que outra pessoa não tenha…A inveja não leva a lado nenhum…Uma simples coisa que uma pessoas tenha ou possua é logo alvo de inveja…Acho que não vale a pena…Muitas vezes, as pessoas que são invejosas, e olham para uma pessoa km uma vida estável lançam logo olhares para essa essa pessoa, dos pés à cabeça, mas nunca olham para um sítio…para o coração…É nele que se situam os sentimentos… E uma pessoa que possa ter uma vida razoável, pode não ser feliz, pode ser uma mártir…O bem material que a pessoa que tem uma vida estável pode não ser o principal, mas sim, o lado afectivo…Não gosto das pessoas invejosas, não gosto de pessoas que se acham superiores aos outros, mas às vezes dou-lhes troco é verdade, mas talvez de ler este texto vou tentra seguir o vosso exemplo, não dar troco às pessoas que nos querem mal, não lhe dar importância…

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