Escrever

Tento escrever mas as palavras não saem, escondem-se nas sombras.
Não sei porquê, antes, muito antes, fluiam como a àgua de um rio.
Esse rio secou ou melhor, foi a inspiração que se me acabou.
Mas como acabou? Nunca a tive! Tudo o que escrevia era agarrada a sonhos, a ilusões, sempre ilusões! Nada mais!
Secalhar o que perdi foi a capacidade de sonhar, deve ser isso. A minha reserva de fantasia atingiu o nível zero.
A fonte que regava a minha imaginação secou e ficou a aridez de uma alma solitária.
A poesia que podia sair de mim mudou de endereço.
Agora só prosa, e mesmo essa já surge aos trambolhões, irregular e preguiçosa.
Gostava de recuperar o poder de sonhar, fantasiar, divagar… Por mais irreal que fosse o meu pensamento. Gostava de rever aquelas madrugadas em que escrevia como se não houvesse amanhã. Libertar aquelas palavras agia um preliminar para o sono.
Mas acabou, a realidade é demasiado pesada para conseguir traspôr para essa outra dimensão. Não consigo erguer a esperança.
Há portas que estão trancadas para mim. Não adianta forçar as fechaduras. Nunca se irão abrir e acolher-me.
Fico-me por janelas semi-abertas por onde, ocasionalmente, passam uns raios de sol.
 
 
Liliana
 

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