Alma Gemea

Conhecemos tantas histórias de amor e, no entanto, sabemos tão pouco acerca dos factores que permitem que nos apaixonemos por determinada pessoa! Apaixonamo-nos e pronto! Nessa altura, achamos que aquele(a) é a nossa alma gémea – porque nos completa, porque nos põe a respiração ofegante, porque não nos deixa espaço para a concentração profissional e/ou porque nos faz acreditar que, afinal, o mundo não é apenas um mar de desgraças.

À medida que este estado de embriaguez se desvanece (e conseguimos, finalmente, voltar a trabalhar e a estar disponíveis para o resto do nosso mundo), apercebemo-nos das características da pessoa amada – daquelas que nos agradam e que contribuem para que a relação funcione, mas também dos seus defeitos (esses marotos, que aparentemente só servem para nos complicar a vida).

Os estudiosos da matéria apontam como factores importantes na formação do casal a atracção física, o companheirismo, a comunicação e a satisfação sexual. Isto é, a maioria das pessoas felizes com a sua relação conjugal sentem-se satisfeitas à luz destes padrões. Mas isso não significa que a pessoa amada mereça 20 Valores em cada uma das “matérias”. Pelo contrário, o conceito de alma gémea, no sentido da perfeição, está muito longe da realidade.

De facto, isso não passa de um mito divulgado, em grande medida, pelas histórias de amor retratadas na literatura, no cinema e, principalmente, na televisão. Os estudos (reais) efectuados com casais felizes apontam para outro tipo de evidências. Estas pessoas sentem-se satisfeitas, mas não descrevem os seus cônjuges como perfeitos. Em vez disso, reconhecem os seus defeitos, aprendem a gerir as diferenças, a ceder em determinados pontos, e a aceitar o outro como ele é.

É preciso reconhecer que nenhum amor é perfeito e que não existem príncipes (ou princesas) encantados, prontos para transformar a nossa vida num conto de fadas. Além disso, não imagino o tédio que seria uma vida desse tipo…

Por outro lado, a generalidade das pessoas reclama o direito de ser aceite como é. Então, por que havemos de exigir aquilo que não estamos dispostos a dar?

Um dos meus poetas preferidos – Vinicius de Moraes – dizia que “O amor é eterno enquanto dura”. Então, que tal fazer um esforço para que ele dure mais um bocadinho? Um dos caminhos para que isso aconteça passa por aceitar que nada é perfeito, muito menos uma relação conjugal. Há períodos de maior proximidade e períodos de maior afastamento, mas o todo é tão bom!

 
 

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