Reencontro

Ela não sabia que aquele seria um outro dia,
um dia diferente de todos os outros,
aquele que guardaria em seu bôjo de sol
um clarão capaz de iluminar o coração,
despertar os sentidos …
Era meio da manhã, e ele bateu à sua porta.
Quando ela o viu, quando ele a viu,
em cada olhar calou-se um mudo espanto,
e a emoção se fez de um doce encanto,
como se fosse um terno reencontro,
sem que eles nunca houvessem estado juntos antes …
Ó êxtase da alma que se reconhece em outra alma,
que soluça uma saudade secular ,
uma separação sofrida no silêncio dos sentidos,
e que se vê diante do impossível,
tateando entre lembranças bordadas no invisível !
Naquele instante, o tempo já não fez sentido.
Definitivamente, eram um par ! Inesquecíveis parceiros
de uma valsa que ficou suspensa entre os arcos da existência,
cúmplices de afetos jurados para a eternidade,
súplices de uma ternura que os reunisse uma vez mais… .
Ele a tomou num terno abraço, e em seus braços
ela sentiu a inequívoca dor dos que permanecem apaixonados,
a insuportável urgência da saudade,
uma outra verdade a brotar dentro de si …
Naquela manhã, no primeiro instante em que se viram,
ambos souberam que já se conheciam,
ambos sentiram que se reconheciam,
ambos partiram todos os laços que os prendiam à realidade e,
silenciosamente, embora cumprindo outros papéis,
embora escravos de uma outra liberdade,
eles se amaram como sempre amaram,
e de um segundo fez-se a eternidade.

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