Sonhos

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
Fernando Pessoa



                      
      
Adorei esta imagem! Exprime exactamente como me vejo.
 
É tarde, já mal consigo abrir os olhos… Mas senti necessidade de escrever, o quê não sei, qualquer coisa que venha à cabeça.
Tanta e tão pouca coisa em que pensar… Ando confusa, ando angustiada, nem sei… Só sei que descarrego em quem não merece, e depois sinto-me mal, muito mal… Não sou assim, não quero ser assim, tenho medo que a vida me faça ficar assim.
Sinto-me tão perdida, sem rumo, sem horizonte à vista. Parece que cada vez estou mais longe de tudo.
Gosto cada vez mais do curso em que estou e cada vez mais me sinto mais incapaz de me tornar uma boa profissional, sou fraca e esta área exige muito sangue frio, coragem e dedicação.
Cada vez preciso mais da carta de condução e cada vez me sinto mais ínutil ao volante de um automóvel, não é a minha praia, o meu cerebro não reage.
Vejo-me cada vez distante da minha familia e fechada no meu mundo, é doloroso ver que somos tão diferentes e vemos a vida de formas tão opostas, mas tenho a certeza que um dia vou lamentar pelo tempo que não passei com eles enquanto podia, já lamento, mas não consigo aproximar-me.
Cada dia gosto mais dos meus amigos e sou mais dependente do seu carinho e companhia, é maravilhoso quando sentimos que fazemos falta a alguém e que por um instante passámos pelo seu pensamento, só existismos a partir do momento em que vivemos no pensamento de alguém, quando isso não acontece somos apenas 1 sombra que vagueia.
Mas já temo pelo momento da separação, esse dia chegará mais depressa do que esperamos e aí vou sentir-me oca.
Tive uma época em que julgava que podia viver bem sem amigos, que era auto-suficiente, que podia contar apenas comigo, num tempo em que realmente não tinha amigos verdadeiros e por isso via a amizade como um oásis, pensamos que o vimos mas afinal não existe, é uma ilusão.
Com o passar dos anos conheci a amizade, foi a maior descoberta que fiz e a que mais me encantou.
Estou à deriva, só penso no que ando a fazer da minha vida? É só uma e muito curta, ainda não tenho 20 anos mas já me sinto muito envelhecida, a minha alma está velha, está cansada de não viver. Por isso quando experimenta algo diferente, por mais insignificante que seja, sente-se nas nuvens, como se aquilo fosse o máximo que o mundo tem para lhe dar.
Aproveita cada frecha de luz e sorri por dentro e por fora, fascinada com o desconhecido.
Não quero viver de instantes que vêm "quase nunca", quero desfrutar em pleno do dom da vida e poder quando estiver no leito de morte dizer que "sofri, chorei, sorri mas acima de tudo vivi!"
É como se vivesse num aquário, em circulos sempre iguais, enquanto que lá fora vejo o mundo e as pessoas a viverem, a experimentarem, a conhecerem…E eu às voltas no mesmo espaço, em águas paradas, sem nada de novo. Queria poder quebrar este vidro que me separa do mundo e arriscar, com todas as consequências que isso possa ter…
 
"Tambem eu queria parar…
chorar… cair…
p’ra me levantar…"

 Toranja

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